quarta-feira, 1 de junho de 2011

O 2º Batalhão de Engenharia e Construção do Exército (2º BEC) aplicou blocos de EPS para substituir camada de solo compactado em trecho da BR101.

 
 
   Até o final de 2011, deverá ser finalizada toda a duplicação da BR 101/NE, que passa pelos Estados do Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco, totalizando 398,9 km de extensão.   Ao todo, deverão ser investidos R$ 2,52 bilhões nos oito lotes da obra.   O lote 5, que compreende o trecho entre a estrada paraibana PB 025 e a divisa com o Estado de Pernambuco, também deverá ser finalizado ainda neste ano, com a conclusão da restauração do pavimento da rodovia existente e a reforma de um aterro rompido na região do trevo de Campina Grande.

   A região é conhecida por contar com um solo muito mole, que causa dificuldades na construção de rodovias.   Em um trecho de 90 m, o 2º Batalhão de Engenharia e Construção do Exército (2º BEC) aplicou blocos de EPS para substituir o solo compactado.   Segundo o Comandante do 2º BEC, Marcelo Arantes Guedon, a escolha pela aplicação dos blocos de EPS foi feita após insucesso nos testes com o uso de geodreno e geogrelha, que se mostraram insuficientes para deixar o terreno apropriado para a construção da rodovia.   O comandante ainda ressalta que havia outras soluções possíveis, porém, mais caras: a continuação da ponte existente no local, já que o trecho está localizado na cabeceira da ponte do Rio Preto, ou a substituição e compactação do solo.   Segundo o comandante, o preço inicial estimado para a obra era de R$ 2,9 milhões.

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Preparação do terreno para a aplicação dos blocos de EPS

   Os blocos de EPS terão a função de impedir que o solo mole aflore e venha a danificar o leito da rodovia. Para o serviço, foi necessária a remoção do solo e a colocação de 1,4 mil blocos, distribuídos em cinco camadas, que ocuparam uma área de 1,4 mil m².   Os blocos têm dimensões de 4 m X 1,25 m X 1 m.

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Primeira camada - assentamento de blocos no solo

   Após a instalação, os blocos foram cobertos por um filme de Pead, sobre a qual foi colocada uma tela metálica e aplicado o concreto, com espessura de aproximadamente 10 cm.   Sobre o concreto, foi colocada brita graduada simples, para então ser aplicado o asfalto.

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Colocação dos blocos

   A obra do lote 5 faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e está sob responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT/PB) e do 2º BEC.   Segundo o Comandante Guedon, cerca de 25 profissionais trabalharam no trecho da obra, que durou cerca de dois meses.

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Nivelamento da primeira camada


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Terceira camada de blocos


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Quarta camada de blocos


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Conclusão da quinta camada de blocos de EPS e início da aplicação de concreto


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Blocos de EPS envolvidos por filme de polietileno


Concreto sobre filme de PEAD e tela metálica

Fonte: Construção mercado

   Cinco camadas de Blocos de EPS envolvidos por filme de polietileno e sobre a quinta camada aplicação de armadura para pavimentação em concreto armado!!!  Só o Exército brasileiro para dar este exemplo para a engenharia e para o país!!!  Brasil aprenda engenharia com eles!

Dr. Alberto C. Filho

Projeto de distrito residêncial para 40 mil pessoas no sul da Índia.

 

   Em uma região do sul da Índia será construído, até 2013, o projeto do Coletivo Internacional de Arquitetos e Urbanistas V I D A, que prevê um novo distrito residencial para 40 mil pessoas.  A localização exata da construção não foi divulgada por opção do cliente, que escolheu o projeto a partir de um concurso privado.

Divulgação: V I D A
Projeto interliga edifícios por meio ruas, calçadas e ciclovias

    Segundo os arquitetos, "o rápido processo de urbanização pelo qual a Índia passa torna a habitação uma de suas principais necessidades".   Para isso, são criados distritos residenciais e até cidades fora de grandes regiões metropolitanas.

   A área de 404 mil m² abrigará vários prédios residenciais, que variam de habitações econômicas a residências luxuosas, com muitas tipologias diferentes: de casas térreas a edifícios altos, totalizando 1 milhão de m² de área construída.   Um dos objetivos do projeto é criar uma identidade forte, que possa influenciar projetos futuros na região.

   Os edifícios serão conectados por ruas internas, calçadas e ciclovias.   Telhado verde está previsto em alguns dos prédios, enquanto grande parte do terreno será coberto por árvores.   Alguns edifícios contarão com pavimentos livres, para o plantio de árvores, e algumas zonas do distrito concentrarão os edifícios públicos e de serviços, como escolas e postos de saúde.

   A intenção dos arquitetos é alcançar a certificação Leed Gold, já que ao projeto "foi dada atenção especial a vários elementos da paisagem e haverá sistemas de reuso da água da chuva para irrigação do terreno".

Divulgação: V I D A
Edifícios terão tipologias variadas

Divulgação: V I D A
Obra deve ficar pronta em 2013

Divulgação: V I D A
Ao todo, empreendimento terá 1 milhão de m² de área construída

Divulgação: V I D A
Planta da cidade

Fonte: aU

domingo, 29 de maio de 2011

As profissões imperiais - entrevista com Edmundo Campos Botelho

   Apesar da suposta democratização do sistema educacional, possuir um diploma universitário no Brasil ainda é um traço de distinção social.   No século XIX, quando o país era composto por  uma população majoritariamente escrava e analfabeta, freqüentar a universidade era um luxo acessível apenas a uma pequena elite, que utilizava todos os meios para manter tal privilégio.   No livro As profissões imperiais (Medicina, Engenharia e Advocacia no Rio de Janeiro - 1822-1930), o professor e pesquisador Edmundo Campos Coelho mostra como a dificuldade de acesso à  educação foi um poderoso elemento de exclusão social no país.   Para tratar desta desigualdade, que se perpetua até hoje, o autor utiliza-se do ponto de vista das camadas mais ricas e intelectualizadas da população.   Numa época em que as profissões praticamente inexistiam, possuir um diploma era  um valioso adorno cultural, que valia mais como um passaporte de convivência com as camadas mais altas do país do que como um atestado de formação profissional.   Através de um aprimorado estudo do exercício das profissões constituídas durante o período do Império — Medicina, Engenharia e Advocacia — o pesquisador traça um panorama crítico da cultura do bacharel no país e mostra como a valorização do diploma atingiu o ápice nos anos 30, com a regulamentação da profissões.   Pertencente a chamada Sociologia da Profissões,  uma área ainda pouco estudada no Brasil, o livro é fundamental para quem deseja conhecer os meandros da legitimação do diploma no Brasil, que acabou por transformar as diferenças em hierarquia e fez nascer o monopólio das instituições de ensino.

Como era no século XIX a relação das elites, que tinham acesso ao ensino superior,  com as  outras camadas da população?

   A elite era altamente autoritária.   As camadas mais privilegiadas da sociedade, as mais intelectualizadas, tinham total desprezo por aqueles que estavam abaixo na hierarquia social.    A desigualdade era cultuada. Isso é muito visível na advocacia.   O Instituto dos Advogados Brasileiros, que congregava os profissionais mais famosos da época,  denotava um total desprezo pelas camadas mais baixas.   A instituição era formada por pessoas com uma formação muito sofisticada, mas tinha um caráter muito antidemocrático, antipopular.

Há algum personagem famoso da historiografia nacional que caracterize esse pensamento?

   Vários. Um deles é o Joaquim Nabuco, um homem terrível.    Ele chegava em casa depois de uma  campanha e lavava a mão para tirar o cheiro do povo do corpo.   Nabuco era um homem extremamente antidemocrático e racista. Afrânio Peixoto, um médico sanitarista muito famoso na Belle Époque carioca, também cultivava essa desprezo, comum entre os membros da elite da época estudada.

Como se exercia, efetivamente, a exclusão social através do ensino?

   No século XIX o ensino público era  pago.   As escolas do governo eram caríssimas.   Só uma camada muita pequena conseguia freqüentar a universidade.   As estratégias de exclusão eram tantas que mesmo quem conseguisse romper a barreira de acesso à universidade não encontrava forma de usar o diploma depois de formado.   Aqueles que não pertenciam à elite tinham que ir para as cidades do interior porque os melhores cargos já estavam monopolizados.   Havia inclusive uma separação que regulamentava quem podia advogar nos tribunais superiores e quem não podia.   O diploma sempre foi um instrumento de exclusão social, talvez, no entanto, mais forte no século passado do que hoje.

O senhor acredita que este quadro tenha mudado com o aumento do número de universidades e, conseqüentemente, da quantidade de alunos matriculados no ensino superior?

   A desigualdade ainda existe,  hoje ela apenas se dá de forma diferente.   Por exemplo, poucas são as pessoas  das classes mais desprivilegiadas que conseguem entrar numa universidade gratuita.   Quem não teve dinheiro para freqüentar uma boa escola vai acabar fazendo um curso noturno em uma universidade privada.   Este aluno irá pagar caro para ter um ensino da pior qualidade.   A universidade coloca na porta uma peneira muito fina, que é o vestibular.   O ensino superior brasileiro ainda é um mecanismo poderoso de exclusão.   Por outro lado, este aumento de profissionais em alguma áreas cria uma inflação dos diplomas de graduação que provoca a queda do valor deles.   Como resultado disso, há um aumento dos cursos de mestrado e doutorado em variadas áreas. Essa criação não deixa de ser mais uma barreira, mais uma forma de promover a exclusão.   Quem pode espichar a vida estudantil?   É um investimento que leva tempo e dinheiro.

Qual era a importância do diploma numa época em que ele não tinha ainda um valor prático, de formação profissional?
  
   No século XIX, e na virada do século, as profissões praticamente inexistiam.   A Medicina até um tempo atrás não curava.   Se você fosse ao médico ou ao curandeiro as chances de cura eram exatamente as mesmas.   Um título acadêmico não tinha valor prático.   Na verdade, ele era simplesmente um adorno cultural.

E quando este panorama começa a mudar? A partir de que época o diploma começa a ter importância para a formação profissional?

   Nos anos 20, quando começa a explosão de matrículas, muda a natureza dos cursos.   A Medicina começa a curar e Engenharia ganha um certo prestígio com Pereira Passos.   O diploma passa a atestar competência em alguma atividade prática.   Aliás, em um mercado pequeno, como era o brasileiro, a competência já estava comprovada pelo diploma.   Isso ainda acontece no Brasil. Aqui, até hoje, o diploma traz a marca da competência não comprovada.   O peso que se dá a educação formal é muito grande no Brasil.

Por que no Brasil? No exterior o panorama é diferente?

   Nos outros países você tem profissões  mais diversificadas.   Nos Estados Unidos, até bem pouco tempo, engenheiro não era  quem tinha um título e sim quem praticava uma atividade ligada à Engenharia.   Esta separação entre diploma de nível superior e técnico, por exemplo, não é uma coisa que seja muito comum em outros países.   Isso é típico do Brasil, onde ninguém quer ser técnico, todos querem ser doutores.   Isso é um ranço do século passado.

E como essa característica aparece hoje na estrutura educacional e profissional do país?
  
   Aqui tudo é controlado, cada profissão quer fechar o seu mercado, quer exercer o seu monopólio. Existem pessoas que são extremamente competentes em certas áreas e que não podem exercer um ofício porque não têm o título correspondente.   Eu posso ser sociólogo e também ser extremamente competente em relação à consultoria de família, já que conheço muito sobre mecanismos sociais.   No entanto, se eu quisesse, não poderia montar um consultório.   O Conselho Federal de Medicina logo me processaria.   Para mim, quem deveria decidir pela competência das pessoas era o mercado.

Existe algum país que fuja à esta regra da obrigatoriedade do diploma?

   Na Inglaterra, até recentemente, não existia nenhuma lei que impedisse as pessoas de exercerem a Medicina.   O que o governo inglês fez foi prevenir a população de que existiam pessoas competentes, com curso superior, e que estas é que deveriam ser procuradas.   Isso não é surpreendente em outros países.   No Brasil é que existe a criação deste monopólio.

Vendo por este ângulo, qual seria a finalidade da escola?
  
   Ensinar coisas absolutamente irrelevantes e “dourar a pílula”.   Para revestir o sujeito de um aparato, de um adorno cultural absolutamente desnecessário na atividade prática.   Na verdade, a escola é uma forma de distinguir algumas pessoas de outras que poderiam fazer a mesma coisa  mas que não tem tempo, nem dinheiro, para comprar o tal adorno cultural.   Alguém que freqüenta um ótimo escritório de advocacia pode se tornar advogado sem nunca ter estado numa escola de direito.   Eu estou convencido disso, até na Medicina.   Você pode se tornar um clínico extremamente  competente se você tiver um bom treino.   A força do diploma no Brasil cria estes feudos, estes guetos profissionais onde ninguém pode entrar.   Até os conselhos profissionais obedecem à esta lógica.   Eles carregam a estrutura burocrática herdada dos anos 30 e continuam valorizando somente o diploma.   A única coisa com que estas instituições se preocupam é saber se existe alguém exercendo a profissão sem autorização.   Se os profissionais são ou não realmente competentes não é tão importante para os conselhos.

O senhor vê alguma forma de romper com esta barreira da exigência do diploma para o exercício de certas profissões?

   As categorias profissionais são extremamente bem organizadas.   Elas não vão querer que a profissão seja exercida por quem não possua o diploma.   Esta exigência é uma das únicas formas de segurar a competição.   De garantir o lugar no mercado, o monopólio.   E agora, ainda tem o provão.   A estrutura cria obstáculo em cima de obstáculo para garantir a exclusão social, que se mantém através do sistema educacional desde o século passado, ainda que de forma diferente.

Fonte: Grupo Editorial Record

  Concordo em parte com o autor quando ele diz que o diploma é um elemento de exclusão social.  Mas por outro lado, discordo do item em que ele fala que uma pessoa sem formação acâdemica pode exerecer a mesma função que um profissional formado.   Até seria possível em questões extremente triviais, mas em questões mais elaboradas pertinentes ao universo da engenharia seria impossível. 
 
  Para uma análise em engenharia é necessário conhecimento em física, matemática, resistência dos materiais, mecânica dos solidos e dos fluidos, etc.
 
  São inúmeras as mortes e prejuízos causados por deslizamentos, desmoronamentos, alagamentos, incêndios, etc.   Problemas que foram gerados por falta de fiscalização e controle, causados pelo exercicio ilegal da profissão.

  Imaginem um avião, um petroleiro, um grande edificio de escritórios, uma ponte Rio-Niteroi, uma usina nuclear, uma plataforma de petróleo, uma estrada férrea,  construídos por não engenheiros, por pessoas sem formação acâdemica!   Você confiaria?

Engº. Alberto C. Filho

As origens do estudo de engenharia no Brasil

   A Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (antiga Universidade do Brasil) - fundada no largo de São Francisco - é a mais antiga escola de engenharia do Brasil.

   Em 1792, o vice-Rei D. José Luís de Castro, Conde de Resende, assinou os estatutos aprovando a criação da Real Academia de Artilharia, Fortificação e Desenho do Rio de Janeiro, segundo o modelo da Academia Real de Fortificação, Artilharia e Desenho de Lisboa, iniciando o ensino de disciplinas que seriam a base da engenharia no Brasil.

   Em 4 de dezembro de 1810, o Príncipe Regente (futuro Rei D. João VI) assinou uma lei criando a Academia Real Militar que veio suceder e substituir a Real Academia de Artilharia, Fortificação e Desenho, e de onde descendem, em linha direta, a famosa Escola Polytechnica do Rio de Janeiro, posteriormente chamada de Escola Nacional de Engenharia, alterada em seguida para Escola de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro e, hoje, voltando a ser a Escola Politécnica, agora da UFRJ.

   A Universidade do Brasil/UFRJ foi formada pela reunião das seculares unidades de ensino superior já existentes no Rio de Janeiro: a Faculdade de Medicina, antiga Academia de Medicina e Cirurgia, criada em 1808 por D. João VI; a Escola Politécnica, continuação da Escola Central, e a Faculdade de Direito, todas com vida autônoma.

Fonte: Wikipédia

domingo, 22 de maio de 2011

Memorial Darcy Ribeiro em Brasília

http://www.revistaau.com.br/au/extra/galeria.asp?e=206|214801&t=E1&b2g=PARBRA

Museu do Chocolate




    O desenho vermelho percorre o edifício antigo e emoldura um novo caminho na fábrica da Nestlé, a 109 km de São Paulo.   Quem passa pela rodovia Presidente Dutra, que liga a capital paulista ao Rio de Janeiro, surpreende-se: as torres e passarelas metálicas com fechamento de vidro laminado e película vermelha dão uma nova referência ao local.   Projetadas pelo escritório Metro Arquitetos, são parte da readequação da fábrica da Nestlé e das novas instalações do Museu do Chocolate, o Chocolover.

   No edifício antigo - inaugurado em 1971 - são produzidos os chocolates Nestlé, espaço que também recebe o público para um tour de visitação pelas diversas etapas do processo de fabricação do produto.   O programa apresentado aos arquitetos solicitava a reformulação do espaço do museu que estava obsoleto - era um simples corredor com janelas voltadas para a fábrica, porém sem uma compreensão real da produção do chocolate.   "O cliente queria um museu interativo, com novas mídias e recursos cenográficos", declara o arquiteto Gustavo Cedroni, um dos sócios do Metro Arquitetos, ao lado de Anna Ferrari e Martin Corullon.

   Com a planta original em mãos, os arquitetos detectaram problemas no fluxo e na circulação das pessoas. "Havia um grande conflito entre as áreas de produção e de público, porque, para completar o percurso, o visitante precisava atravessar as ruas externas da fábrica por onde transitam caminhões", relata Martin.   A solução proposta foi implantar duas torres externas ao edifício, e duas passarelas que funcionam como circulação exclusiva para o público.

   A solução se transformou na principal atração do edifício, pois, além de cumprir a função de circulação, causa grande impacto visual tanto durante o dia quanto de noite, graças à iluminação com lâmpadas led.   O vermelho especificado pelos arquitetos possui intenso apelo sensorial e desperta o apetite. Ideal para uma fábrica de chocolate.

   Incorporada à fachada do edifício, a passarela maior, voltada para a via Dutra, tem 100 m de extensão, 2,75 m de altura, está a 4,80 m do solo e possui fundação própria, ou seja, está justaposta à construção original.   Finaliza em uma torre com 20 m de altura que abriga elevador e escada.   A passarela tem fechamento de vidro laminado temperado com película vermelha e, na face norte, é fechada por uma chapa metálica expandida, que funciona como um brise.   O piso é de chapa perfurada para ventilar e escoar a água. Sua estrutura metálica ganhou desenho inusitado: suaves ondulações que dão dinamismo ao conjunto.

   "É uma geometria mais complexa.   Optamos por esse recurso pelo rendimento que traz como experiência espacial, ou seja, podíamos explorar formalmente, não apenas cumprir a função", explica Martin Corullon.  A estrutura espacial triangular tem uma modulação básica, mas com deslocamentos vertical e horizontal que variam até 20 cm, formando faces irregulares que se repetem a cada quatro módulos de 2,75 m.

   A estrutura de sustentação da passarela é constituída por peças de aço com perfil I, sendo pilares espaçados a cada 10 m e vigas formando furquilhas.   No trecho sobre a rua de circulação de veículos há um vão livre de 27,5 m. Essa passarela organiza a saída do público.   A entrada é realizada por outra passarela com solução idêntica, porém menor - 20 m de extensão, vão livre de 15 m e torre de 10 m de altura.

   Museografia

   Durante o trajeto, o público tem a seu dispor narrações por alto-falantes, painéis com imagens, textos, vídeos e lunetas. Há também telas touch screen e almofadas gigantes que deixam o formato da pessoa.
Diferentes cores foram utilizadas nos pisos, paredes e teto, além de uma trilha sonora para cada espaço.   A sala do bombom Alpino, por exemplo, tem som de jazz, enquanto a de massa de chocolate tem um som distorcido de fábrica, sempre com o objetivo de criar uma identidade marcante para cada núcleo.

Fonte: aU
Responsáveis também pela museografia, os arquitetos, junto com uma equipe de antropólogos, videomakers e cenotécnicos, setorizaram a fábrica de acordo com as áreas de produção e criaram 12 núcleos temáticos, cada um identificado por uma cor.   Assim, no percurso de mil metros, janelas foram fechadas, dando lugar a aberturas redondas e ovais, mais lúdicas, e que permitem a visualização dos conteúdos mais interessantes da fábrica. "Usamos outras técnicas de museografia para deixar o percurso o mais interativo possível", esclarece Gustavo.